Reflexão viral nas redes expõe a dura realidade da educação pública no Brasil, com sobrecarga docente, contratos escassos e estudantes passando de ano sem aprender.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Um comentário feito por uma educadora no Instagram chamou a atenção de centenas de profissionais da educação nos últimos dias. A usuária @solangeguedes21 desabafou sobre os impactos da atual política educacional, que tem levado ao enfraquecimento do ensino público, à escassez de contratos temporários e à aprovação automática de alunos, mesmo sem o devido aprendizado.
“Vejo dois pontos. Vai acabar com os contratos. Será feito poucos, pois quem quiser pegar mais aula pode — contratos já estão difíceis”, destacou a professora, referindo-se à diminuição da oferta de vagas para educadores em função da sobreposição de carga horária e da adoção de atividades remotas.
A fala revela um problema crônico enfrentado por milhares de docentes no Brasil: a instabilidade nos contratos e a falta de valorização dos profissionais que atuam em caráter temporário, mesmo exercendo funções essenciais nas escolas públicas.
Mas o alerta mais grave surge quando ela aponta para a forma como o sistema tem lidado com o rendimento dos alunos:
“Quanto ao Estado ter avançado na educação, vejo um ponto negativo: nossos alunos passam sem saber. Futuramente, não vamos ter críticos. Muito triste.”
O desabafo escancara o impacto da aprovação automática, que tem se tornado regra em muitos estados e municípios. A prática, segundo especialistas, esvazia o processo pedagógico, gera desmotivação entre os professores e impede que os estudantes desenvolvam a capacidade de análise crítica, essencial para a formação cidadã.
Por fim, a educadora questiona a lógica desigual da avaliação:
“Se reprova professores em concurso e seletivos, alunos também deveriam ter esse privilégio.”
A comparação levanta um debate necessário: por que os profissionais da educação precisam enfrentar processos rigorosos de seleção e avaliação, enquanto o sistema ignora o desempenho discente, promovendo alunos sem o mínimo de domínio dos conteúdos?
A realidade descrita por Solange é compartilhada por milhares de professores e professoras em todo o país. Em meio à desvalorização profissional, à crescente sobrecarga de trabalho e à falta de políticas estruturantes, o que está em jogo é o próprio futuro da educação pública no Brasil.

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