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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

A elite econômica brasileira reage à proposta de tributação de grandes fortunas com ameaças de fuga para paraísos fiscais. Mas para onde exatamente iriam?

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Nos últimos anos, sempre que surge uma proposta para aumentar a tributação sobre os mais ricos, uma narrativa ganha espaço na imprensa e nos discursos de setores conservadores: “Se aumentarem os impostos, os bilionários vão embora do Brasil!”

A frase, repetida como mantra por comentaristas do mercado financeiro, empresários e políticos liberais, visa frear qualquer tentativa de justiça fiscal. Mas há uma pergunta que precisa ser feita com seriedade: os bilionários vão embora para onde, exatamente?

O mito da fuga dos ricos

Atualmente, o Brasil cobra até 27,5% de imposto de renda sobre pessoas físicas. É um percentual que se aplica tanto a quem ganha R$ 5 mil quanto a quem ganha R$ 5 milhões, o que já mostra uma estrutura profundamente injusta.

Mas mesmo assim, esse número é baixo se comparado a outras nações desenvolvidas:

  • 🇺🇸 Estados Unidos: alíquota máxima de 31%
  • 🇩🇪 Alemanha: até 50%
  • 🇬🇧 Reino Unido (Inglaterra): até 50%
  • 🇫🇷 França: 45%
  • 🇨🇦 Canadá: até 33%

Ou seja, o Brasil está entre os países que menos cobram impostos sobre a renda dos mais ricos. A tributação aqui recai, principalmente, sobre o consumo — o que pesa no bolso do trabalhador, do pequeno empresário e da classe média.

Paraíso fiscal não é destino de vida

Muitos dizem que os ricos iriam para “paraísos fiscais”, como Ilhas Cayman, Panamá, Suíça, Luxemburgo ou Emirados Árabes. Mas esses lugares não oferecem estrutura para viver com qualidade de vida, apenas funcionam como esconderijos legais para lucros não declarados, longe da Receita Federal.

Além disso, com acordos internacionais de transparência, mesmo os paraísos fiscais estão sendo obrigados a fornecer informações às autoridades. A era da impunidade total está com os dias contados.

O verdadeiro motivo da chantagem

A narrativa de “fuga dos bilionários” serve a um propósito: chantagear a sociedade e o governo. Ela busca frear debates sobre:

  • Tributação de grandes fortunas
  • Cobrança de impostos sobre lucros e dividendos
  • Redução de isenções injustificáveis a super-ricos

Nenhum bilionário quer abrir mão de um sistema que sempre os beneficiou. No Brasil, cerca de 28 mil pessoas concentram mais de R$ 1 trilhão em patrimônio, mas pagam proporcionalmente menos imposto que um professor da rede pública.

Justiça fiscal não é vingança — é equilíbrio

Tributar os mais ricos não é questão de ideologia ou revanche. É corrigir distorções históricas. É garantir que aqueles que mais lucram contribuam com a construção de um país menos desigual.

Países desenvolvidos não ficaram pobres por tributar os ricos. Pelo contrário: são justamente essas contribuições que sustentam educação, saúde, infraestrutura e programas sociais de qualidade.

O Brasil precisa enfrentar esse debate

A proposta do governo Lula, através do Ministério da Fazenda, é taxar offshores, fundos exclusivos e super-ricos. São medidas que atingem menos de 0,1% da população brasileira, mas que podem gerar bilhões para o país.

Enquanto isso, os mesmos de sempre gritam: “Vamos embora!”. A pergunta que fica é: pra onde, bilionário? Vai morar onde pague mais imposto ainda? Vai se esconder em uma ilha sem escola, hospital ou aeroporto decente?

A sociedade brasileira já entendeu o jogo. E está na hora de virar o tabuleiro.


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