Proposta pode acabar com paraíso fiscal e provocar fuga de bilionários para outros países
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A Suíça, conhecida como um dos maiores paraísos fiscais do mundo, realizará no dia 30 de novembro de 2025 um referendo nacional para decidir se irá taxar em 50% todas as heranças e doações acima de 50 milhões de francos suíços (aproximadamente R$ 310 milhões). A proposta foi apresentada pelos Jovens Socialistas (JUSO) e promete sacudir as estruturas do sistema financeiro suíço e global.
Se aprovada, a medida criará um imposto federal permanente, substituindo as regras atuais, que variam de acordo com os 26 cantões do país e isentam herdeiros diretos. O objetivo dos proponentes é arrecadar até 5 bilhões de francos para investir no combate às mudanças climáticas, segundo estimativas do movimento.
No entanto, a proposta tem gerado forte resistência. Bilionários suíços e grandes banqueiros classificaram a medida como uma “bomba nuclear” contra a estabilidade do país. Empresários afirmam que a mudança pode inviabilizar empresas familiares e causar um êxodo de fortunas para paraísos fiscais alternativos, como Liechtenstein, Emirados Árabes e Itália. Algumas famílias já estariam transferindo bens e planejando mudança de domicílio.
Apesar da mobilização da juventude socialista, o Parlamento suíço e o Conselho Federal se manifestaram contra a proposta. Como exige maioria do povo e dos cantões, especialistas consideram difícil sua aprovação. Ainda assim, o simples fato de a proposta ter alcançado as 100 mil assinaturas necessárias para ir a voto já representa uma vitória simbólica e um alerta global.
Enquanto isso, no Brasil, o debate sobre taxar grandes fortunas ainda enfrenta forte resistência de setores conservadores, mesmo diante do crescimento da desigualdade e da concentração de renda.
“Se até a Suíça está discutindo isso, por que aqui no Brasil ainda tem gente defendendo os super-ricos?”, questionou o deputado federal Lindbergh Farias nas redes sociais.
A proposta suíça reacende a discussão mundial sobre justiça fiscal e reforça o alerta: a desigualdade é uma emergência global, e quem tem mais, precisa contribuir mais.

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