Declarações controversas à Justiça Eleitoral levantam suspeitas de fraude em cotas raciais; petista Rosa Neide também alterou autodeclaração, mas sem impacto prático
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O calor de Mato Grosso anda fazendo milagres — e não é só na lavoura. Em pleno ano eleitoral, parece que o sol também anda “bronzeando” a consciência racial de alguns políticos. Pelo menos é o que indicam os registros da Justiça Eleitoral: deputados estaduais e até uma deputada federal resolveram rever suas autodeclarações raciais — passando de brancos para pardos.
Entre os nomes que “tomaram sol” estão os deputados Dr. João (MDB), Elizeu Nascimento (PL) e Gilberto Cattani (PL), além do vereador de Cuiabá Diego Guimarães (Republicanos). Todos são candidatos à reeleição ou a novos cargos. E todos, curiosamente, se descobriram pardos em ano de eleição, embora nas eleições anteriores constassem oficialmente como brancos.
Coincidência? Pode até ser. Mas o que salta aos olhos é o timing da mudança: justamente quando os votos de pessoas negras e mulheres passaram a valer em dobro para a distribuição do Fundo Partidário e Eleitoral, conforme a regra aplicada à disputa da Câmara Federal.
O detalhe é que, para a maioria desses políticos, a manobra não terá efeito prático algum, já que a regra só vale para candidaturas à Câmara dos Deputados. Mas parece que isso não impediu a tentativa — afinal, vale tudo para garantir um lugar ao sol (ou no fundo eleitoral).
A exceção nesse roteiro é a deputada federal Rosa Neide (PT), que também atualizou sua autodeclaração de branca para parda. Porém, como é mulher, seus votos já entram na conta dobrada pela legislação atual, o que torna a mudança meramente simbólica — e sem impacto direto.
A legislação visa, em tese, corrigir desigualdades históricas e promover a inclusão racial e de gênero na política. Mas, como sempre, onde há regra, há brecha — e onde há brecha, aparecem os moralistas de ocasião prontos para explorar. Muitos dos que hoje se declaram pardos são os mesmos que vivem vociferando contra cotas e políticas afirmativas em suas redes sociais.
No fim das contas, o que se vê é mais um episódio da velha prática eleitoral brasileira: se adaptar à regra não para promover justiça, mas para tentar garantir vantagem — nem que seja pintando a cara (ou o formulário da Justiça Eleitoral).

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